Potencial crise nos mercados?

Potencial crise nos mercados?

O tema do momento nos meios financeiros é a chegada já em meados deste ano de uma iminente crise económica e financeira, e muitos artigos são publicados sobre o tema, mas muitas são as questões que se colocam, então será que estamos mesmo na iminência de uma crise?

Os questionamentos que precisam ser considerados ativamente sobre uma “Potencial crise nos mercados”, são em primeiro lugar quais os fatos potencialmente geradores para o desencadeamento de uma crise, a insustentabilidade ativa destes fatos e o que acarretam futuramente, e em segundo lugar “o quando virá?”, pois sabemos que em questões de investimentos para alem de reativos precisamos ser proativos, e ter o timing certo é crucial, não basta estarmos certos, precisamos estar certos na hora certa ou o sucesso nos passará ao longe.

Fala-se muito aqui e ali, discutem-se iminentes sinais, a sobreavaliação dos ativos, bolhas de concessão de crédito, entre muitas outras, e analistas, comentadores económicos e políticos, jornalistas, e outros em sua expertise arriscam até em dizer que está já a porta, e que é já para 2020, e alguns apontam previsões catastróficas e cenários mirabolantes, isto por que todos eles tem uma coisa em comum, não investem, não estão e nunca estiveram expostos ao risco e a perder dinheiro, portanto desconhecem na prática as razões fundamentais, as correlações e os pilares que norteiam os mercados.

Vamos aos fatos

Atualmente vivemos na era do Easy Money, os EUA apesar dos défices orçamentais mantém o crescimento através dos estímulos, a Europa apesar dos problemas migratórias mantem-se em recuperação também com os estímulos de Q.E, China e Japão prosseguem com suas políticas de estimulo, taxas de juros negativas ou muito próximas de zero são a realidade de todos, ou seja, as economias globais e suas políticas expansionistas continuam, e estão aí para ficar por tempo indeterminado. Observemos o que temos assistido nesta e nas últimas semanas;

Jerome Powel presidente da FED, nesta semana assistimos ao discurso onde de forma clara e concisa expressou a continuidade das políticas de estímulos a economia Americana, e que continuam assistindo sua evolução, e outras estão sobre a mesa caso necessário, bem como deixou manifesta a intenção de voltar a cortar as taxas caso os objetivos e metas económicos e de emprego sofrerem desvios.

Mário Draghi presidente do BCE, também nesta semana em conferência de imprensa sobre a política monetária do BCE, para alem de manter inalteradas as taxas, declarou que estas políticas de compras de ativos por parte do BCE são para continuar por tempo indeterminado, podendo inclusivamente serem aumentadas, ou implementadas outras adicionais, e quando fez referência as taxas de juros usou uma abordagem de que talvez sejam necessários ainda novos cortes em taxas.

A equipe de Kuroda do Japão, BOJ, o terceiro entre os mais importantes na economia mundial em sua última reunião de política monetária declarou que que a política expansionista de taxas “extremamente baixas” e aquisição de dívida pública (uma espécie de Q.E), se vai manter pelo menos até a primavera de 2020, pois as metas inflacionárias e de crescimento estão abaixo do previsto.

Da china nos chegam notícias pelas palavras do governador do banco central garantindo que o país e os responsáveis pela política monetária estão preparados para choques, estão voltados para o futuro e preparam políticas abrangentes com todos os tipos de instrumentos de política monetária de forma abrangente, e vem injetando muitos milhões de yuan na economia todos os meses.

Os atritos comerciais entre EUA, china, Europa, NAFTA (México e Canada), nada mais são do que uma busca desenfreada pela liderança da economia mundial, uma rivalidade sempre existente que agora se externou, sendo aplicadas taxas e sobretaxas entre produtos, e que poderá levar a um enfraquecimento do crescimento, inflação, e talvez até uma guerra cambial na tentativa de superar as taxações dos produtos, mas fica explicito nos fatos que cada país tenta defender os seus e o que é seu, e que todos buscam as mesmas coisas, e continuarão utilizando os meios disponíveis para garantir o crescimento e desenvolvimento económico.

Desta forma, e com base nos fatos chegamos a conclusão de que enquanto houver abrandamento económico haverá easy Money, e enquanto o dinheiro for fácil e barato, os ativos continuarão a valorizar, e os índices bolsistas a subir (lembre que nada é tão caro que não possa subir ainda mais), e a suposta crise estará ausente.

Os sinais

Observar e estar atento aos sinais é a regra número um do investimento, todos sabemos disto, mas então quais serão os sinais de uma potencial crise nos mercados, quando ela estará a porta?

Simples, e alem de simples fácil de identificar. Chegará o momento em que toda essa panóplia de ferramentas de política monetária estará esgotada ou restringida e não surtirá o efeito desejado nas economias, o crescimento económico estará estagnado abaixo de 1,5% nos EUA, e abaixo de 1% na Europa, o desemprego começará a aumentar em todo lado, e o mais importante, o principal sinal vira quando os gigantescos balanços do bancos centrais começarem a surgir, e os títulos de dívida pública dos países de médio e longo prazo detidos e acumulados ao longo destes anos por estes bancos centrais, (nos casos de alguns países), já poderão se ter tornado uma espécie de “subprime” após decidas de rating, e neste momento sim os ativos estarão hipervalorizados, e os índices bolsistas em máximos históricos.

Os acontecimentos, o início da crise

Inevitavelmente com balanços gigantescos os estímulos de Q.E ou similares a este terão de acabar, as taxas começarão a subir, e com isso o easy-money acaba, o que levará grandes investidores e bancos a reavaliarem os ativos detidos e a atribuir-lhes novos preços, desfazendo-se de investimentos de maior risco, o que poderá levar a vendas massivas de ações.

A conjunção da atribuição de novos preços aos ativos, a venda massiva de ações e a estagnação económica acarretará aos títulos de empresas detidos pelos bancos centrais em alguns ou muitos casos talvez características semelhantes aos famosos “subprimes”, nesta fase teremos muitos países com menor capacidade de solvência com dívidas públicas muito elevadas e poucas ferramentas políticas disponíveis para resolução dos problemas.

A preparação

Certamente estar preparado em momentos de uma potencial crise nos mercados é fundamental para a preservação do património, portanto o primeiro passo é a identificação dos setores económicos e ativos com maior suscetibilidade a esta crise, e neste caso julgamos que as ações dos setores da banca e tecnológico serão os mais expostos, seguindo por ordem os setores da construção e indústria.

Uma boa estratégia será começar a afastar-se gradativamente destes setores diminuindo ao máximo a exposição, ou até mesmo eliminando da carteira ações e ativos subjacentes destes setores a medida que os sinais mencionados começarem a surgir.

A velha máxima “comprar no rumor e vender na notícia” é sem sombra de dúvidas uma estratégia de sucesso em momentos que antecedem grandes crises e depressões económicas, se estivermos atentos aos sinais, e interpretarmos corretamente dados económicos e fatos que se sucedem conseguimos transformar momentos de crises em resultados surpreendentemente positivos.

Então onde investir?

Voltemos a análise macro, em um momento de fragilidade económica com altas taxas, sobre-endividamento dos países, balanças comerciais negativas e recessão, a história passada nos mostra que sempre surgiram conjuntamente crises de política externa e confrontos geopolíticos com interesses económicos, e em especial focados em países produtores de petróleo, e uma vez bem analisados fazem todo o sentido, pois um conflito militar entre EUA e Irão por exemplo faria os preços do petróleo dispararem, o que por sua vez fariam aumentar as receitas dos países produtores desta matéria prima e por consequência no equilíbrio das contas públicas.

Outra classe de ativos excelente para antecipar-se a uma potencial crise nos mercados e investir pró-ativamente são ETFs sobre índices bolsistas onde é possível adquirir exposição em short-selling a vários índices, não só para cobertura de riscos, mas sim também desta forma estar posicionado corretamente quando uma potencial crise nos mercados se instalar.

Catedraticamente os ativos de refúgio como o ouro tendem a valorizar-se rapidamente em situações de crise e pânico nos mercados acionistas, o que não deixa de ser uma boa opção, mas não devemos esquecer que o CHF (Franco Suíço) é um ativo desconhecido a muitos, em especial ao investidor minorista ou de retalho, mas que é um excelente investimento e ativo onde muitos se refugiam.

Investidores bem preparados sabem observar e interpretar os sinais que o mercado fornece, e não ficam a espera que o “caos” se instale para tomar decisões, investidores de sucesso agem proactivamente na gestão da carteira não somente na defesa do capital, mas objetivando estarem posicionados na direção que o mercado tomará, pois e de onde a rentabilidade virá.

“Enquanto alguns choram, outros vendem lenços”, pense nisso!

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